Ir. Rosa Boni, há dois meses no Haiti, partilha sua experiência missionária.

 Chegada e primeiras impressões....

 

Dia 25 de abril de 2010, às 15h30min, saímos de Pedro Santana. Chegamos a San Juan às 18h, dormimos lá, e no dia 26/04 às 7h30min, saímos para o Haiti. Chegamos na fronteira “Jimani” às 11h30min e só saímos às 13h30min. Burocracia... Nossa sorte foi que um padre nos esperava, senão, não tínhamos passado. Éramos 10 religiosas, em 2 carros.

Chegamos num bairro de Porto Príncipe às 15h30min. Almoçamos sardinha com arroz e depois fomos descansar.

27/04 às 5h45 participamos da missa em francês com seminaristas, teólogos, freiras e missionárias de todos os lugares. Estamos na casa das Irmãs Dominicanas da Apresentação de Nossa Senhora, num bairro onde acolheram seminaristas Scalabrinianos, Diocesanos, Verbitas, Missionários leigos e Irmãs. Cada seminarista tem sua tenda para dormir.

Montaram aqui uma pequena clínica onde atendem alguns mutilados e vacinam as crianças do bairro etc... Visitamos o centro de Porto Príncipe, dá um choque no coração... Quase todas as Igrejas caíram e restaram vários crucifixos de pé, como dizer: Eu estou com vocês...

 

Memória de Dra. Zilda Arns...

 No crucifixo da catedral onde Zilda morreu montaram uma tenda e tem sempre gente rezando lá, pois as igrejas estão interditadas. Os que têm dinheiro = gould consertam... os pobres perambulam pelas ruas... O governo nada faz. Não se prioriza a pessoa humana. As ruas estão cheias de lixo... Os escombros continuam no mesmo lugar. O trânsito é um caos.  Situação triste! Uma escavadeira removia a terra de um cemitério e se via ossos dos mortos. Muitas crianças fazendo gestos pediam... E de cortar  a alma!

 

Partir é preciso...

 28/04- Despedi-me de meus irmãos/ãs que voltam no dia seguinte e parti com o Padre Pascal e Niveda para Camp Perrin. O sol é mais quente do que no Nordeste. São seis horas de viagem. Situa-se no Sul do Haiti. Chegamos à la “Source de Vie” às 20h30min.

Tem um pedaço de estrada muito ruim, com muita pedra, as quais foram colocadas pelo Pe. Pascal com os campesinos para chegar até a casa. Pois o governo não está nem aí com os pobres.

 

Nossa Missão....sonho de realizar juntos, um “novo céu e uma nova terra”... (Ap. 21,1)

A fraternidade que se compõe de:  Dienica 8 anos, sem mãe; Sebastien 9 anos, sem pai; Wedline 10 anos, sem pai e mãe; Dieuni 13 anos, sem mãe. Matride 21 anos;  Rosemine 27 anos;  Marie Marhe 25 anos, enfermeira;  Fortune 28 anos;  Rogus 28 anos;  Niveda que coordena, 32 anos e eu completo o time de 11 (precisa de reservas)...

Eles nos receberam com um canto em criol. Jantamos à luz de vela, descansamos..

 

Pe. Pascal preparou uma assembléia com os campesinos para o dia 1º de maio. Foi muito lindo, simples... Tinha umas 150 pessoas, mais crianças do que adultos. Chegaram cantando, suados e cada um com uma muda de planta que prepararam para trazer. Fizeram dramatização, apresentação, cantos, uma celebração onde me senti muito a vontade e no final todos tomaram café com beju.

02/05 domingo tivemos missa na capelinha. Foi emocionante. O Padre trouxe sua mãe de 84 anos, que quase não caminha devido a osteoporose. Marie Alice que o apoiou para começar o projeto e três homens do comitê de Porto Príncipe. Peguei as medalhas de Emilie, ele benzeu e distribuiu aos presentes. Aí começa um novo céu e uma nova terra... Ele contou como começou o sonho deste projeto. Muito lindo! Quisera ter gravado... é um sacerdote haitiano profundo, comprometido, simples, calmo que reza. Passa três dias por mês nesta obra. Missionário do Sagrado Coração de Jesus. Cuida de 87 seminaristas haitianos e tem uma paróquia, Nossa Senhora do Sagrado Coração, num bairro de Porto Príncipe. Se parece com o Padre João de Deus de Oeiras (Piuaí).

O projeto é muito lindo. Ele acredita que é possível e eu também acredito... Dizem que os religiosos e as religiosas é que estão fazendo algo de concreto... Mas somos uma gota d’água no oceano. Pe. Pascal disse: Haiti era pobre e depois do terremoto é miserável... Ele acredita muito nas religiosas.

 

A fonte é de todos...

 Pertencemos à paróquia Sant’Ana e as crianças que podem caminham 5 quilômetros para ir à escola mais próxima. Eles têm que comprar tudo e pagar para estudar e quem não tem, não estuda por isso há muitos analfabetos. Padre Pascal quer fazer uma escola profissionalizante... Com projetos de cabras, abelhas, peixes, horta, posto de saúde, etc... Ele não quer publicidade, quer ajuda. Trabalha silencioso e na base. Começou a plantar desde 2004, pois as matas foram cortadas para fazer carvão. O sítio tem: manga, fruta pão, coco, banana, milho, feijão aipim, amendoim... Ele quer que este projeto seja  modelo para outros. Que todos possam viver a vida em abundância como Jesus quer. Por isso: “Jesus, source de vie”. Ele não dá coisas, nem comida a ninguém... Não resolve... Todos precisam. Dói no coração encontrar pessoas magras, tristes, que mostram o estomago vazio. São quase todos esqueléticos. A situação dos idosos é de cortar o coração. Não tem aposentadoria e são desprezados.

Há uns 200 metros da casa tem uma nascente de água bem pequena onde se pega água com caneco, põe em pequenos galões e leva-se para tudo: beber, cozinhar, lavar, banhar..A fonte é de todos!

 

Abramos os olhos e os corações para os mais pobres...

 A fraternidade “Source de Vie” vive aqui. Creio que NBM – Bem Aventurada Emilie de Villeneuve está aqui e pede continuadoras a La “Source de Vie”. Vi duas escolas com o nome Immaculée Conception. Preparem-se, estudem o francês. É um mistério... Faz-nos refletir, o que Deus quer nos dizer com tudo isto?

03/05 Fomos à Caynes, onde reside o bispo Dom Guire Poulard,  fomos bem recebidos, Pe. Pascal, que é de outra diocese, Niveda e eu. Almoçamos com ele. É haitiano, muito simples. Vai para Brasília por estes dias, numa reunião...

05/05 um mês que saí do Brasil, não sobrou tempo para chorar. Pois tudo é surpreendente... Não esqueço ninguém e rezo por todos. O Senhor é fiel e sabe o que faz. É ele que realiza nossos sonhos. Neste dia tivemos missa celebrada pelo bispo de Santo Domingo, Dom José, que veio visitar o Haiti. Disse que o Senhor nos faz refletir para que abramos os olhos e os corações para os mais pobres, onde a vida está mais ameaçada. Ele rezou em castelhano.

Com esta mistura de português, castelhano, francês e criol dá para se divertir. Até dezembro creio que me comunicarei e uma nova língua. O Espírito Santo tem muito trabalho.

                             Ir. Rosa Boni

(Irmã de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Castres – Irmãs Azuis, Prov. de S. Paulo)

 


Sr. Rosa Boni, depuis deux mois à Haïti, nous fait part de son expérience missionnaire.

 

Arrivée et premières impressions...

 

Le 25 avril 2010, nous avons quitté Pedro Santana à 15 h. 30. Arrivées à San Juan à 18 h, nous y avons dormi et le 26 avril à 7 h. 30 nous sommes parties pour Haïti. Nous sommes arrivées à la frontière “Jimani” à 11 h. 30 et n’en sommes reparties qu’à 13 h. 30. Bureaucratie... Notre chance a été qu’un Père nous attendait, sinon nous n’aurions pu entrer. Nous étions 10 religieuses dans deux voitures.

Nous sommes arrivées dans un quartier de Port-au-Prince à 15 h. 30. Nous avons déjeuner avec des sardines et du riz et nous sommes allées nous reposer.

Le 27 avril à 5 h. 45 nous avons participé à la Messe en français avec des séminaristes, des théologiens, des religieuses et des missionnaires venus de partout. Nous avons logé dans la maison des Sœurs Dominicaines de la Présentation de Notre-Dame, quartier où ont été accueillis des séminaristes Scalabriens Diocésains, Verbites, Missionnaires laïcs et des Sœurs. Chaque séminariste a une tente pour dormir.

Ils ont installé ici une petite clinique dans laquelle sont soignés quelques blessés, où l’on vaccine les enfants du quartier etc... Nous avons été jusqu’au centre de Port au Prince, c’est vraiment un choc profond que l’on éprouve à la vue de tant de misères... Presque toutes les églises se sont écroulées et plusieurs grandes croix sont restées dressées, comme pour dire : Je suis là avec vous...

 

Mémoire de Dra. Zilda Arns...

 

Sur le crucifix de la Cathédrale où est morte Zilda, une tente a été dressée et il y a toujours des personnes en prière, car il est interdit d’entrer dans les églises. Ceux qui ont de l’argent = gould consertam... les pauvres, eux, déambulent dans les rues... Le gouvernement ne fait rien. La personne ne bénéficie d’aucune attention. Les rues sont pleines d’ordures... Les décombres sont toujours là, au même endroit. Le trafic est un véritable chaos. Quelle triste situation ! Un excavateur travaillait la terre d’un cimetière et j’ai entrevu les os des corps. Beaucoup d’enfants demandaient une aumône par leurs gestes... c’est vraiment à vous couper l’âme !

 

Il faut partir...

 

28 avril – Je me suis séparée de mes frères et sœurs qui reviendront le jour suivant et je suis partie avec le Père Pascal et Niveda pour Camp Perrin. Le soleil y est plus chaud qu’au Nordeste. Il y a six heures de voyage et c’est au sud de Haïti. Nous sommes arrivés à la “Source de Vie” à 20 h. 30.

Il y a toute une partie de la route en très mauvais état, avec beaucoup de pierres qui y furent mises par le Père Pascal et les campesinos de la zone pour pouvoir arriver jusqu’à la maison. Le gouvernement n’est pas là non plus avec les plus pauvres.

 

Notre Mission... rêve à réaliser ensemble, un “nouveau ciel et une nouvelle terre”... (Ap. 21,1)

 

La fraternité se compose de Dienica 8 ans, qui n’a plus de maman ; Sébastien 9 ans, sans papa ; Wedline 10 ans, sans père ni mère ; Dieuni 13 ans, sans mère ; Matride 21 ans ;  Rosemine 27 ans ;  Marie Marhe 25 ans, infirmière ;  Fortune 28 ans;  Rogus 28 ans ;  Niveda qui assure la coordination, 32 ans et moi qui complète l’équipe de 11 (il faut des réserves)...

Ils nous ont reçu avec un  chant en créole. Nous avons soupé à la lumière d’une bougie et sommes allés nous reposer...

 

Le P. Pascal a préparé une assemblée avec les campesinos pour le 1er mai. Tout a été très simple, très beau... il y avait à peu près 150 personnes, davantage d’enfants que d’adultes. Ils sont arrivés en chantant, tout en sueur, et chacun avec une bouture de plante qu’ils avaient préparés pour la porter. Ils firent une petite représentation, chantèrent, et une célébration. Je me suis sentie très à l’aise et pour terminer tous ont pris du café avec une galette de maïs.

 

Le dimanche 2 mai nous avons eu la messe dans la petite chapelle. Une cérémonie très émouvante. Le père y a fait venir sa maman de 84 ans, qui ne marche presque plus à cause d’une ostéoporose. Marie Alice, était là, elle a appuyée pour que commence ce projet ainsi que trois hommes du comité de Port-au-Prince. J’avais pris des médailles d’Emilie, il les a bénies et distribuées aux personnes présentes. Ici commence un nouveau ciel et une terre nouvelle... Puis il raconte comment a commencé le rêve de ce projet. Très beau ! J’aurais aimé pouvoir l’enregistrer... Le P. Pascal est un prêtre haïtien profond, simple, calme, qui prie. Il reste trois jours par mois dans cette œuvre. Missionnaire du Sacré-Cœur de Jésus. Il s’occupe de 87 séminaristes haïtiens et a une paroisse à sa charge, Notre Dame du Sacré-Cœur, dans un quartier de Port-au-Prince. Il est un peu comme le Père Jean de Dieu de Oeiras (Piauí).

C’est un très beau projet. Il croit qu’il est possible de faire quelque chose et moi aussi je le crois... On dit que les religieux et religieuses font quelque chose de concret... Mais nous sommes une goutte d’eau dans l’océan. Le P. Pascal dit : Haïti était pauvre et depuis ce tremblement de terre il est misérable. Il a grande confiance dans la présence des religieuses.

La source est pour tous...

Nous appartenons à la paroisse Saint Anne et les enfants qui peuvent marcher font 5 kilomètres pour aller à l’école la plus proche. Ils doivent tout acheter et, en plus, payer pour étudier, qui n’a pas d’argent n’étudie pas, c’est pourquoi il y a beaucoup d’analphabètes. Le Père Pascal voudrait monter une école technique professionnelle... Il a des projets avec les chèvres, les abeilles, les poissons, le jardinage, et aussi un centre de soins, etc. Il ne veut pas de publicité, ce qu’il veut c’est être aidé. Il travaille silencieusement et à la base. Depuis 2004 il a commencé à planter, car les fourrés ont été coupés pour en faire du charbon. Sur place on trouve : des mangues, des fruits à pain, cocos, bananes, mil, haricots, manioc, cacahuète... il souhaiterait que ce projet soit un modèle pour d’autres. Que tous puissent vivre la vie en abondance comme Jésus le veut. Et pour cela : “Jésus, source de vie”. Lui, il ne donne pas les choses, pas même de la nourriture, à personne... Il ne résout pas les problèmes... Tous ont besoin. Il est vraiment douloureux de rencontrer des personnes maigres, tristes, montrant que leur estomac est vide. Presque tous sont squelettiques. La situation des vieillards est à faire pleurer. Il n’ont aucune pension et sont méprisés, abandonnés.

A quelques 200 mères de la maison il y a une source, bien petite où l’on prend l’eau à l’aide d’une petite fiole, on la met dans des pots et on l’emporte pour tout : boire, cuisiner, laver, baigner… La source est à tout le monde !

 

Ouvrons nos yeux et nos cœurs en faveur des plus pauvres...

 

La fraternité “Source de Vie” vit ici. Je crois que NBM – la Bienheureuse Emilie de Villeneuve est là et demande des continuatrices à La “Source de Vie”. J’ai vu deux écoles avec le nom de Immaculée Conception. Elles préparent et étudient le français. C’est un mystère... Cela nous fait réfléchir, qu’est-ce que Dieu veut nous dire avec tout cela ?

Le 3 Mai le père Pascal, qui appartient à un autre diocèse, Niveda et moi sommes allés à Caynes, où réside l’Evêque Don Guire Poulard ; nous avons été bien reçus. Nous avons pris notre repas avec lui. Le haïtien, en général, est très simple. Il part pour Brasilia ces jours-ci pour une réunion...

Aujourd’hui, 5 mai, il y a un mois que j’ai quitté le Brésil, et je vous assure que je n’ai pas eu le temps de pleurer ! Tout est surprenant... Je n’oublie personne et prie pour tous et toutes. Le Seigneur est fidèle et sait ce qu’il fait. C’est lui qui réalise nos rêves. Aujourd’hui nous avons eu la messe célébrée par l’Evêque de Saint Domingue, Don José, qui est venu visiter Haïti. Selon lui, le Seigneur nous oblige à réfléchir afin que nous ouvrions nos yeux et nos cœurs pour les plus pauvres, là où la vie est la plus menacée. Il a prié en espagnol.

Avec ce mélange de portugais, espagnol, français et créole il y a de quoi se divertir ! je crois que en décembre je donnerai de mes nouvelles dans une nouvelle langue ! L’Esprit Saint a beaucoup de travail.  

Ir. Rosa Boni

(Sœur de Notre-Dame de l’Immaculée Conception de Castres – Sœurs Bleues, Prov. de S. Paulo)



16/06/2010
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